Democracia é democracia

Imagine, por um instante, que, no ano que vem, quando o João Doria começar a exercer suas funções como prefeito de São Paulo, ele não consiga governar. Vamos supor que sua governabilidade esteja praticamente nula porque a câmara dos vereadores, numa manobra conchavada com partidos outrora aliados e da oposição, não aprove nenhuma de suas propostas. E que as contas públicas e a economia da cidade comecem a entrar em um colapso. Enquanto isso, imaginemos que as pessoas que não votaram no Doria simplesmente não consigam aceitar o fato de ele ter sido eleito democraticamente — e que, com outra manobra, consigam tirar o Doria do poder sem nenhuma razão constitucional. Vocês que votaram nele achariam um absurdo, não é? Digno de manifestações, motins, levantes e afins.

História absurda, não é? Não sei nem se preciso explicar a comparação que fiz acima. Mas por desencargo de consciência: o mesmo ocorreu a nível nacional há pouquíssimo tempo. E muitos dos eleitores do Doria não acharam tão absurdo assim.

Das conversas que tive com os eleitores de Fernando Haddad, nenhuma questionou as regras do jogo. Foram todas algo como: “Bola para frente”, “Em 2018 ele se candidata a governador”, “Deveríamos ter nos esforçado mais”, “A esquerda precisa se unir”, entre outros. É assim que funciona. A vida é um eterno perde e ganha, como disse Marcelo D2. A gente é jovem e olha para o futuro. Busca o novo. Tem sede de transformação. E, via de regra, não abaixamos a cabeça para uma luta. Mas não questionamos as regras do jogo. Sabe por quê? Porque democracia é democracia.

Fabrício Bernardes