Por que eu odeio o Villa Mix

O Villa Mix, para quem não sabe, é uma casa de shows, também conhecida como uma balada sertaneja, em São Paulo. Ao pesquisar na internet, descobri que a casa tem franquias em vários estados, portanto, à maioria dos jovens brasileiros esse texto pode interessar. Antes de tudo, gostaria de deixar claro que, sim, eu gosto de sair. Eu gosto de baladas, eu gosto de beber, eu gosto de música alta; de me divertir. Não precisa nem ser meu amigo para saber disso. Basta ler alguns posts do meu blog.

O problema é que o Villa Mix não é uma balada normal. Começa pelos preços. Lugar onde mulher paga menos para entrar já me é suspeito. Mulher bebe menos? Questionável. Mulher tem menos dinheiro? Questionável. Existem menos mulheres no mundo? Questionável. Na minha visão, isso é para que as mulheres fiquem mais dispostas a irem à balada – porque pagam menos – e para que os homens tenham mais opções de mulheres para “ficar”. Eu tenho pena de quem se sujeita a isso.

Ainda falando de preços, 60 reais seco (só para entrar, sem consumir nada) é o mínimo que se pode pagar para entrar na casa noturna se você for homem e tiver seu nome na lista. Mulher, 40. Sem nome na lista, dobra. Isso, para um mero estagiário de jornalismo, é caro. E provavelmente para muitos que estejam lendo também.

Depois, existem os “promoters”. Algo que também soa suspeito. Então, se você tem contato com alguns desses profissionais de festas noturnas, você não espera para entrar. E deixa, literalmente, os otários que não são populares o suficiente esperando na fila, que, diga-se de passagem, é quilométrica. Às onze horas, ela já está rodando o quarteirão e a probabilidade de você entrar é quase nula depois desse horário.

Ou seja, não dá para fazer o famoso “esquenta” de noite (beber antes da balada para não ter que gastar muito para se embriagar dentro do lugar, que, normalmente, tem preços abusivos. Tipo, uma água por 10 reais). Você tem que fazê-lo à tarde. Pensando bem, esqueça se você for mulher. Porque nenhuma moça vai ao Villa Mix para brincar. Elas vão para desfilar. Elas estão todas maquiadas, pernudas, bundudas, de cabelo liso, de salto alto e com um Trident de menta na boca. Portanto, se você for fazer um esquenta com as amigas, é melhor fazer ao meio-dia. Porque até se arrumar para ficar colossal daquele jeito, beber, ficar bêbada, achar um táxi, enfrentar o trânsito de São Paulo e pegar a fila da balada, já deram mais de dez horas da noite.

Você pode estar se perguntando. E se eu não quiser me arrumar? Você não tem essa opção. Você se sentirá extremamente deslocada e o seguranção não vai lhe deixar entrar. Segundo o gerente da casa, não se pode entrar sem salto. E, segundo o mesmo, são recomendações do corpo de bombeiros. Absurdo? Deixo para você julgar.

E se você for homem? É verdade, homem demora menos para se arrumar. Comece a beber às 5 da tarde então. Rapazes também têm um manual de vestimenta no Villa Mix. Tênis, calça jeans, camisa polo ou camisa xadrez. Mas certifique-se de que você tenha puxado a camisa xadrez até o bíceps — ou que a manga da camisa polo esteja cavada o suficiente — para marcar o músculo a fim de mostrar que você vai à academia ao menos três vezes por semana. Não se esqueça tampouco de usar a marca Abercrombie, ou Hollister. É essencial.

Então, ao entrar na balada, você, provavelmente, vai presenciar atos de animalização do ser humano. É o Cortiço de Aluísio de Azevedo versão século 21. Sem exageros. É briga de homens porque um deu em cima da namorada do outro para lá. É mulher de salto e saia bandage caindo no chão porque bebeu demais para cá. E segurança batendo em convidados porque arranjaram encrenca para acolá.

Se você estiver sóbrio suficiente, repare que as músicas repetem. O repertório de sertanejo brasileiro parece não ser suficiente para preencher uma noite inteira de balada.

Eu retomo a questão de se sujeitar a certas coisas. Você tem certeza de que quer pagar, no mínimo, 40 reais, enfrentar uma fila daquele tamanho, sendo que você ficou horas se arrumando, para se encaixar em um meio extremamente fútil, para ficar com desconhecidos, que não vão querer seu telefone depois, que só beijaram você para mostrar para os amigos que são bonitos, legais e supostamente interessantes”? Será que ninguém percebe que isso não leva a lugar algum? Será que ninguém percebe que as pessoas são todas iguais nesse recinto? Camisas de marca, saias bandage, vodca com energético. E ainda ver gente apanhando de segurança, mulher caindo de bunda no chão de saia branca de tão bêbada que está. E escutar “as mina pira quando a gente chega na balada.”

Alguém, por favor, me explique a graça disso, porque eu não consigo enxergar diversão em um lugar assim. Onde mulher é tipo isopor para fazer volume e ser “catada”. E ainda tem que pagar e se arrumar para isso. Mulheres, não se sujeitem a isso. Vocês são muito mais do que isso. Homens, não gastem seu dinheiro com isso. Uma balada na Augusta custa 40 reais e normalmente são consumíveis ou “open-bar”. As “minas” são “descoladas”, usam All-star, gostam de rock de britânico e você vai aguentar conversar com elas por mais de 30 minutos após tê-las beijado. Não parece uma boa troca? Também dá para chegar à meia noite nas baladas. Elas não vão estar lotadas e vai haver um boteco bem na frente da casa noturna para fazer o “esquenta” antes. Pensem nisso.

Adaptando, diz aonde vais e direi quem és.

Fabrício Bernardes, que já foi ao Villa Mix três vezes em sua vida e cujo certos amigos, infelizmente, gostam de ir à referida balada