É Uma Questão de Educação

“O que o berço não dá Salamanca não empresta”. Essa é uma célebre frase sobre a famosa universidade de Salamanca, na Espanha. Conhecida por ser uma das melhores e mais tradicionais da Europa, ela transformou a cidade de mesmo nome em um polo educacional e cultural. No entanto, ela mesma avisa. O que não foi adquirido pelo berço, educação, Salamanca não lhe emprestará. É algo que se aprende com os pais e não há dinheiro no mundo que compre. Aliás, ser civilizado não tem nada a ver com posição social. Uma pessoa pode ter todo o dinheiro do mundo e, mesmo assim, não ter nascido em um “berço de ouro”. Portanto, não se compra educação; adquire-se ao longo da vida. Pena que poucos entendam isso.

Na verdade, não ter educação nem é um problema tão grande. O maior é esquecer que vivemos em uma sociedade. E, por consequência, é imprescindível que exista respeito mútuo entre os cidadãos. O cômico é que certas pessoas não entenderam isso ainda. Por exemplo, eu estava no metrô esses dias e me ative a observar uma jovem. Ela estava sentada no assento preferencial. Um senhor provavelmente com mais de 60 anos entrou no metrô e ficou sem lugar para sentar. É claro que havia inúmeras outras pessoas que poderiam ceder o lugar e não é certo apontar a jovem que estava sentada como a culpada de tudo. No entanto, ela era alfabetizada, pois estava com um livro na mão. Como pode não haver lido: “ASSENTO PREFERENCIAL”? O pior de tudo foi a reação dela ao ver o idoso entrar. Ela fechou os olhos rapidamente e fingiu que estava dormindo!

A falta de educação está em todos os lugares. Principalmente no trânsito. Darcy Ribeiro escreveu um livro chamado Processo Civilizatório, no qual fala de como, pouco a pouco, adquirimos hábitos civilizados. Deixamos de comer com a mão, de traquejar em público, de eructar ao falar com outra pessoa, entre outros. Todavia, não aprendemos ainda que não se deve xingar a mãe do outro no trânsito e que devemos respeitar quem está na preferencial. Como todo processo civilizatório, aprender a ser educado no trânsito demora gerações. Mas, com tantos casos de morte relacionados a brigas nas ruas por falta de educação, já deveríamos ter aprendido isso. O preço que nós, paulistanos, pagamos é a situação bizarra em que se encontra nosso trânsito hoje.

Nunca esteve tão em alta ser bem educado. Essa qualidade transcendeu seu nível de importância e, hoje, ser educado é salvar o mundo. Fechar a torneira enquanto se escova os dentes, não demorar mais de quinze minutos no banho, lavar o carro menos vezes. Tudo isso também significa ter educação. E não é questão de ser mais um eco-chato. Ninguém tem que abdicar dos confortos da modernidade. É só ter um pingo de discernimento e entender que os recursos do nosso planeta não existem só para nossa geração. Eles têm que durar para várias outras.

O que diriam nossos filhos ao verem que nossa geração falhou? Que nós não fomos capazes de acelerar o tal processo civilizatório? Que os nossos próximos jornalistas tenham que escrever matérias iguais a essa? E, pior ainda, se eles disserem que não fomos educados. Está na hora de entender que educação é a chave do sucesso. Seja ele no âmbito federal ou no individual. Sejamos a geração da educação! Não da falta dela.

Fabrício Bernardes