(Sempre) digo o que penso

Parabéns, você é brasileiro! Uma economia dinâmica que cresce sem parar. Um gigante latino-americano, cuja moeda vale o dobro da dos nossos “hermanos”. Um potencial imenso ainda por ser explorado, um país de gente feliz e acolhedora.

Parabéns, você é paulistano! A 14a cidade mais globalizada do mundo. Município que possui o 10o maior PIB do planeta. Cidade que abriga a sede da 2a maior bolsa de valores do mundo em valor de mercado. Uma cidade de etnia europeia, porém dinâmica e avançada como uma metrópole americana.

Doutores psicológos descobriram, recentemente, uma lógica eficiente para alcançar qualquer meta que um ser humano comum pode lograr – portanto, exclui-se voar, ser invisível e colocar o Sarney na cadeia. Ele se chama contraste mental. O método consiste em imaginar aspectos bons e ruins do objetivo a alcançar e, em seguida, confrontá-los.

A eficácia dele foi mais do que comprovada. Mas por que é tão difícil contrastar ideias em nossa mente? Simples. Nosso cérebro tende a eliminar todas os pensamentos paradoxais de nossa mente. É como lutar contra nossa própria natureza. É como nadar contra a corrente.

Mas por que o contraste mental é tão eficaz, então? Porque ele força você a tomar uma decisão: ou você segue em frente com e ataca aquele objetivo ou você desiste.

Parabéns, você é brasileiro! Habitante de um país em que é mais importante ter o celular da última geração do que ter seus filhos na escola. Uma nação cujos cidadãos acham bonito tirar vantagem dos outros. Pátria que prefere falar sobre futebol do que discutir sobre os políticos que roubam descaradamente a população.

Parabéns, você é paulistano! Cidade em que gente diferenciada não gosta de metrô para não se misturar com a gentalha. Metrópole em que é bonito dar um carro de presente ao filho que passou na faculdade, mesmo que ele demore 2 horas e meia para chegar ao seu destino. Um dos municípios mais globalizados do mundo e, ao mesmo tempo, lugar onde mais de 625 mil pessoas vivem com menos de 140 reais por mês.

É, a verdade dói. E doa a quem doer. Estou farto de hipocrisia. Ninguém vive no País das Maravilhas de Alice e estamos longe de resolver nosso problema. Falo de São Paulo porque sou paulistano da gema. Que cidade é essa em que uma construtora vai construir um BAIRRO inteiro dentro da cidade (em Pompeia)? Que cidade é essa em que há quase dois carros por pessoa? Que cidade é essa que se vangloria de ser desenvolvida, mas não tem metade da malha ferroviária de uma cidade de 1,5 milhão de habitantes (quase 7 vezes menor do que São Paulo) como Barcelona? Que cidade é essa que enfia polícia super-armada em universidade, enquanto, a cada trimestre, mais de 10 pessoas são assassinadas?

Qual a solução, então? Investir em metrô? Sim, invistamos em transporte público de qualidade! Então, São Paulo será um foco de desenvolvimento e qualidade de vida porque teremos resolvido um dos maiores problemas que assola a cidade. E então mais 10 milhões de pessoas migrarão do resto do Brasil e do mundo buscando as regalias de uma cidade cheia de oportunidades com boa qualidade de vida. Assim, teremos voltado à estaca zero. Sim, o buraco é mais embaixo. Diferentemente de como o paulistano gosta de pensar, não estamos isolados.

E o que fazer com o trânsito, poluição, enchentes, efeito estufa, chuva ácida e tantos outros etc’s numa cidade como São Paulo? Eu me proporia a escrever um texto argumentativo se tivesse ideias lógicas, práticas e concisas para defender. Porém, não as tenho, não sou um acadêmico e o crescente debate interminável sobre tais problemas ambientais só me deixa cada vez mais com a certeza de que, quanto mais se fala, mais se chove no molhado.

A única ideia que defendo – com unhas e dentes. Ora, precisei de mais de 3800 caracteres para chegar a ela – é que nada está como deveria estar. Por mais que você viva positivizando e negando os problemas. Então, façamos como os psicólogos americanos sugeriram: confrontemos ideias e busquemos um objetivo-mór comum. Pelo seu próprio bem, e pelo de todos.

Fabrício Bernardes

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>